domingo, 29 de dezembro de 2013

ESPECIAL "CENA NORTE PARANAENSE " - PARTE 1

O Heavy metal no Brasil sempre se se aglomerou em grandes centros . São Paulo e Minas Gerais indiscutivelmente foram as capitais que mais revelaram bandas no Brasil, porém é notório que o Heavy Metal surge em todos os lugares de nossa pátria. Aqui tento nessa matéria enumerar algumas bandas que surgiram no norte/ nordeste no Paraná Pioneiro.  Tentarei aqui de maneira superficial citar algumas bandas de nossa região que contribuíram com Cds e Demos lançados enriquecendo e batalhando pelo Underground em nossa região. As bandas não seguem ordem cronológica ou de exposição, simplesmente é uma maneira de deixar uma fonte de informação na Internet. É inevitável que algumas bandas não sejam citadas nessa matéria por falta de informações ou de nosso conhecimento, porém novas informações serão sempre válidas e bem-vindas !

COLORADO HEAVY METAL

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

VIRGA FERREA


Saudosa banda de Hard Rock e Maringá que brilhou nos anos 90, representando o rock no FEMUCIC e em inúmeros show repletos de energia e improviso. Apesar de nunca terem  um material lançado de maneira oficial é possível encontrar uns “piratas’ dessa galera pioneira no rock em nossa região e conferir o som dos caras. Destaque para a música “Irmãos de Fome” com sua critica social ácida e inteligente. Sem duvidas o VIRGA FERREA foi uma banda que abriu as portas para muito que vieram depois na estrada do rock e do Heavy Metal!






------------------------------------------------------------------------------------------------------------

DOMINUS PRAELII


Levantando a bandeira do Heavy Metal nos moldes “oitentista”  o DOMINUS PRAELII pode ser considerado um grande representante do Metal Paranaense. Formada em Londrina a banda chegou longe com 3 trabalhos magníficos que deixam a banda em um patamar de reconhecimento  nacional. O Grupo já se apresentou por todo pais e pelo exterior, e esta de maneira ascendente garantido seu espaço forjando o puro Heavy Metal!



------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PANNDORA


RUNAWAYS , VIXEN, DORO... Pode-se dizer que as influencias do som do PANNDORA vieram de grandes nomes. Fugindo do estereótipo lírico que estava em grande ascensão no inicio do segundo milênio a banda chega a 10 anos de estrada moldando e o estilo escolhido desde o inicio dessa trajetória, o Heavy Metal Tradicional.  Contando com uma formação 100% feminina o PANNDORA vem cada vez mais conquistando notoriedade no cenário nacional tendo uma base considerável de fãs e admiradores.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------


DHUEND

Ainda quando o Death Metal produzia seus discos clássicos à banda DHUEND já estava brutalizando os eventos pelo underground de Londrina afora.  Chega dar um certo saudosismo ver no nome da banda em alguns cartazes antigos. Apesar da competência em fazer um Death Metal nos moldes dos Holandeses  SINISTER , a banda produziu apenas 2 demos com 3 músicas e após sua dissolução em meados do ano 2.000 seus integrantes migraram para outras bandas, entre elas MASAKRA e DOMINUS PRAELII .


------------------------------------------------------------------------------------------------------------

FÉRETRO

A banda formada em 2004 em Londrina, mescla um som sombrio e pesado com performances teatrais em palco, além de letras com o tema morte sempre citado. Com referencias plurais na mistura do Doom/Gothic com outros estilos a banda lançou a demo “Death Inside” que de maneira simples tem sua originalidade e singularidade na cena de Londrina.



------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PUTREFAÇÃO CADAVÉRICA

Seguindo uma linha Splatter / Death Metal abusando estética lírica e visual totalmente causada em assuntos pútridos como o próprio nome já diz. O PUDREFAÇÃO CADAVÉRIA deu um uma renovada no Metal Extremo de Maringá. Mesmo com pouco tempo de estrada a banda já apresenta uma Demo  “Cadaverous Rotting” que sintetiza certamente tudo que a banda busca em termos de  sonoridade e temática, podridão.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------

MESEMON ECROF

 A banda oriunda de Mandaguaçu  lançou 1 demo  e um Split para somar ao underground da nossa região. Primando por composições brutais o grupo seguiu uma tendência que acontecia em Curitiba com bandas como HECATOMB  e NECROTÉRIO que misturavam referencias do Death Metal/Splatter com vocais mezzo-guturais. Não tenho noticias se a banda esTa ou não em atividade, mais o registro brutal ficou para somar com nosso underground...


------------------------------------------------------------------------------------------------------------

MASAKRA

O MASAKRA  de Londrina sempre foi uma incognita, pois com sua velocidade extrema e tecnica apurada facilmente estariam nos baluartes do Brutal Death Metal Nacional. Contando com um ex-membro do CORE e também  proprietário de Estúdio  PRO-AUDIO (Alexandre Bressan) o grupo produziu a demo ‘’ TRANCE’’ . Muitos bangers ainda esperam  o full –lengh desta banda . Quem já viu o som dos caras ao vivo sabe o quanto  a velocidade e tecnica podem  atingir.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Por Vitor Carnelossi

domingo, 22 de dezembro de 2013

ENTREVISTA - PERU



Nosso entrevistado de hoje será nada mais nada menos que o principal percursor do som pesado em nossa cidade. Umberto Calegari ( O Popular PERU). Tanto  no social quanto  cultural o ato de  “enquadrar” uma pessoa em determinado estilo  sempre foi um maneira de procurar definir um padrão de pensamento e de costumes. Pode-se dizer que é impossível separar a figura  “Umberto Peru” “tribo” Heavy Metal. Curtindo um som a mais de 20 anos nosso amigo juntamente com o Marcão Azevedo viu o Heavy Metal Brasileiro nascer e explodir nos anos 90. Acompanhando show do The Mist, Sepultura,  Korzus, Angra entre outros,  “Peru” ao longo de sua paixão pela musica pesada foi acumulando amigos, conhecimentos  e principalmente material. Com uma imensa coleção de Vinil, Cds, Revistas, DVDs e diversos itens relacionados ao Heavy Metal o quarto desse Jovem senhor é um prato Cheio para os saudosistas. Outros ponto legal se tratando dessa galera pioneira no rock pesado é que eles não fazem a distinção idiota entre os subgêneros do Heavy Metal/Rock. Facilmente era  e é comum ver o Peru curtir MORBID ANGEL, RAMONES, ANGRA, RXDXP, IRON MAIDEN, sem aquele extremismo pregado por alguns “bangers”. O Tempo passa e com o advento do MP3 muitos não vão ter o prazer de emprestar algum Vinil ou CD provindo da “Biblioteca Metálica” do Peru, mais esse que vos escreve iniciou-se nesse estilo  andando  sempre munido de artefatos  emprestado do Umbeto Calegari. Em uma entrevista simples e direta vamos saber algumas opiniões e preferencias desse “velhaco” chamado Umberto Calegari (PERU).
Quarto entupetado de artigos relacionados ao rock/heavy metal!


1 -  Quando e como você começou a curtir Heavy Metal
Peru – Por volta de 1986, através de um amigo de escola.

2 – Quais os shows que você foi que nos destacaria?
Peru – Quando tudo começou na minha caminhada do rock, Virga  Ferrea em Colorado

3 – Você tocou em algumas bandas em Colorado, como você enxerga sua contribuição por aqui?
Peru – Fiz muitas amizades através do rock n´roll
 
4 – Você sempre foi colecionador de discos de vinil. Que discos você destacaria de maneira especial ?
Peru – Todos são muito especiais para mim.
Peru e Max Kolesne (Krisiun)

5 – Há maioria dos “bangers’’ antigos de colorado começaram a curtir um som mais pesado emprestando seus discos e cds. Como você vê a questão do mp3 hoje em dia?
Peru – Como diria Fenris (DARK THRONE) “ Qualquer Metalhead  que se preze tem uam vitrola ou um toca fitas..”

6 – Quando você estava em atividade como baixista, quais os baixistas que te inspiravam musicalmente?
Peru – Meus amigos de banda que também eram meus professores Rafael Morelato e Eduardp Jorge

Peru em show do Monstrosity em São Paulo

7 – Sei que “ nas antgas” aconteceram muitas histórias legais em shows e viagens que você foi de várias bandas nacionais. Como foi participar de uma época tão prolifera do heavy metal brasileiro?
Peru – “Bons tempos aqueles”

Com Luiz Mariute Shaman/Angra
8 – Quais as bandas do metal nacional você destacaria no momento?
Peru – Seria injusto citar uma ou outra, o Metal nacional sempre teve excelentes bandas.

9 – Qual banda você desejaria ver em 2014?
Peru - MY DYING BRIDE

10 – Quais seus 5 álbuns favoritos?
Peru -
- ANGELS CRY (ANGRA)
- TRANSCED THE RUBICON (BENEDICTION)
- NEM POLICIA NEM BANDIDO ( GOLPE DE ESTADO)
- IV (LED ZEPPELIN)
- TODOS OS ÁLBUNS (DEATH)
Nas antigas!

11 -  Deixe um recado para a galera!
Peru - Continuem a curtir rock n’ roll, e sejam felizes!

Por Vitor Carnelossi - COLORAD O HEAVY METAL

domingo, 15 de dezembro de 2013

DICAS HEAVY METAL - MORTEN VELAND


O BLOG COLORADO HEAVY METAL  durante essas ultimas semanas por causa da correria e das precipitações do final de ano esteve um pouco em falta na postagem de matérias, mas estamos com bastante material pra sair e procurando novas maneira de retratar nossa cultura underground. Hoje acompanharemos uma matéria bem legal do nosso amigo e colaborador Marcão, fica uma dica legal para que curte um som mais "dark". Marcão não esconde a condição de  entusiasta de Morten, não é pra menos pois artisticamente se trata de um músico fenomenal. Em se tratando de referências, podemos dizer que em sua empreitada no TRAGEDY GARDEN,  Marcão foi totalmente tomado pela visão sombria desse músico norueguês. 
(COLORADO HEAVY METAL)


por Marcão Azevedo...

 MORTEN VELAND



Nos confins da longínqua e gelada Noruega, país conhecido por duas estatatísticas que chamam a atenção (país com uma das melhores condições de vida para as pessoas no mundo; país com um dos maiores índices de suicídios do mundo – o sol  lá não aparece todo dia.........) existe um músico que solitariamente vem desmonstrando uma capacidade ímpar de conceber projetos bem sucedidos.

O músico em questão é Morten Veland.
A seu modo, em que pese os desafetos, por onde passou deixou um grande trabalho( refiro-me ao Tristania) e ainda executa um trabalho digno de elogios com o Sirenia e com o Mortemia.


No Tristania, elevou a banda a patamares de primeiro escalão dentro da linha que para alguns era doom, para outros atmosférico, mas conceitos não importam quando inicia-se a audição de Widow´s Weed.....o ranger de uma porta pesada anuncia uma seqüência de música cinzenta de melhor qualidade, iniciando por EvenFall, emendando com Pale Enchantress e sua orquestração e teclados que soam como locomotiva avassaladora, e então percebo o Sirenia já com vida, dentro do Tristania, na faixa Angellore.
Em entrevista pós-Tristania, Morten Veland disse que tudo ia muito bem na banda, até que o tecladista e o baterista descobriram que poderiam ganhar dinheiro com direitos autorais. Segundo Morten, o clima ficou insustentável, e o criador de pérolas como Angina, do cd anterior, abandona o Tristania em pleno apogeu mundial.
Quem perdeu?? O Tristania, sem dúvida. O que Morten fez sozinho no Sirenia e Mortemia o Tristania com mais de 05 músicos em sua formação nunca mais conseguiram.        Tornarem-se apenas mais uma banda. Alimentam-se das sobras e das sombras deste gênio dos arranjos cinzentos e das orquestrações com timbres únicos.
Ao lançar At Six and Sevens (tudo junto e bagunçado – em português) Morten Veland escancara de vez a condição de mestre do doom/góthic/atmosférico com letras e arranjos estupendos, onde a guitarra, mais presente, divide espaço com corais orquestrados e linhas hipnóticas de violinos e piano. A faixa que leva o nome do álbum é um  atestado de quão letal pode ser uma proposta, pois contém todas as estruturas de extremo bom gosto que somente os monstros conseguem. Vale ainda destacas faixas como Sister Nightfall, In a Manica e Lethargica como amostras mais que ótimas da proposta sufocada em sua banda anterior. Mortem lança a seguir mais 03 álbuns com o Sirenia. A exemplo do primeiro, 100% do álbum é se sua autoria, gravando todos os instrumentos, inclusive. Possui uma formação que o acompanha ao vivo nas turnês e festivais mundo afora.

Autor inquieto, encara outro desafio, nominado Mortemia.  Ouça The One I Once e ouvirá a continuidade de um trabalho constante e em contínua mutação.
Convido você, caro leitor, a conhecer este grande autor. Conclusões?? Não se preocupe com elas, nem com rótulos, pois Morten Veland neste momento está enfiado em algum estúdio nos preparando novas surpresas, novos conceitos.
Um GRANDE abraço!!
Marcão Azevedo.


domingo, 17 de novembro de 2013

PEDAL DUPLO – ACELERANDO O HEAVY-METAL

Unanimidade entre quase 100% dos bateristas modernos;
Fundamento que requer alta destreza e resistência física;
Efeito que causa admiração e curiosidade no público em geral, principalmente no rock e  especialmente nos aficcionados pelo heavy metal.
Tendo a bateria evoluído e ganhando cada vez mais  destaque conforme grandes bandas surgiam, performance como a de Ginger Baker (Cream) e Keith Moon (The Who), juntamente com a mão pesada e o swing de John Bohan (Led Zepellin) e Bill Ward (Black Sabbath) passaram a serem cada vez mais evidenciada, e a busca por elementos criativos a partir de seus kits de bateria foram os percursores para o surgimento e aperfeiçoamento do pedal duplo.

Max Kolesne

Phil Taylor, um dos primeiros bateristas do Motorhead é considerado o pioneiros dos tempos atuais. Em entrevista, o vocalista Lemmi disse que um dia chegou no local de ensaio da banda com os demais músicos e lá de fora ficaram ouvindo uma ´´novidade´´ que vinha do som da bateria de Phil, que estava sozinho ensaiando seu instrumento naquele momento. Era então o andamento do que seria a faixa ´´Overkill´´, considerada a música que ficou marcada pela levada rápida e presença explícita do pedal duplo.
Bateristas consagrados como Dave Lombardo (Slayer) e Pete Sandoval (Morbid Angel) são considerados grandes referências neste fundamento, mas para orgulho de todos nós o grande nome mundial tido como unanimidade é o grande Max Kolesne, do Krisiun. Quem já esteve com ele, como muitos bangers daqui nas várias passagens deles por Maringá, sabe o quão gente boa, simples e humilde o cara é, bem como ouve nitidamente a velocidade de seus bumbos em relação às bandas de abertura, seja ela qual fosse. Numa das passagems deles pelos EUA, os músicos do Morbid Angel estavam plantados em frente ao palco durante um dos shows, prova do reconhecimento e respeito conquistado. Segundo Max, suas sessões de ensaio duram cerca de 08h/dia, o que o elevou a patamares nunca antes atingidos pelos bateristas. Utilizando a técnica dos blast-beats, impõe uma velocidade avassaladora nos andamentos, parecendo literalmente um triturador incansável.
Um segundo nome a se destacar e que considero a sombra do Max vem da banda Vital Remains, de nome Eddy Hoffman, que imprime uma velocidade absurda em seus bumbos. Se vc ainda não conhece este trampo, vale a pena, até porque é a banda paralela do Glen Benton, do Deicide, que aliás tem outro monstro como baterista no próprio Deicide, o Steve Asheim.

Pete Sandoval

Estilos com o power metal, death metal, metal sinfônico, true metal, grindcore, black metal passaram a usar cada vez mais, encorpando mais o som e acelerando de forma que a sensação de velocidade é sempre intensa.
Lento ou rápido, a verdade é que dá um colorido a mais nas composições.
A nível conceitual, o que se pede a nível de dominar o fundamento do pedal duplo é que se faça com ambos os pés, com a mesma velocidade e precisão em cada perna, o que se faz com as mãos.
O pedal duplo, porém, requer o mesmo cuidado por parte do baterista em relação ao uso dos pratos: é preciso podar exageros, como não poluir os andamentos com colocações ´´deslocadas´´. Não tenha dúvida – se encaixado na hora certa, ou na base certa, com certeza o efeito será muito agradável. Caso contrário a sensação é de música ´´ardida´´ ou apenas barulhenta.
Um GRANDE abraço a todos os leitores do coloradoheavymetal.



Marcão Azevedo.

sábado, 9 de novembro de 2013

ENTREVISTA RODOLFO SANTANA ( GUILHOTINA HC / TRAGEDY GARDEN)


Um músico versátil e dedicado, podemos dizer que RODOLFO “RODOX” seria uma ótima aquisição para qual fosse à banda que entrasse. Rodolfo é uma espécie de CORINGA das bandas em Colorado, sempre se adaptando a situações inusitadas e evoluindo em todas as funções em que lhe são confiadas. Baixista, Guitarrista e Vocalista, hoje batemos um papo com esse extremamente importante músico de nossa cena.


1 - Rodolfo, como e quando você começou a curtir rock/Heavy Metal?
R: Ainda na infância, comecei a andar de skate com os amigos, e como uma espécie de trilha sonora escutávamos muito Planet Hemp,CPM22,Raimundos,Charlie Brown Jr, O Surto e Chico Science e Nação Zumbi, que era na época o que mais nos identificávamos pelo estilo de vida que levávamos, porém foi na escola com outra galera que peguei realmente o gosto pelo rock e suas vertentes, conheci os sons mais pesados e os mais clássicos, e se deu inicio à uma evolução natural de distinguir o que era bom e o que não era.
2  - Como você começou a se envolver com a cena underground e se tornou um músico do gênero?
R: Cansando de ver outros tocarem e terem banda e eu não rs... Foi um caminho até meio complicado, lindando com desconfiança, algumas chacotas básicas e pouco apoio dos amigos mais próximos, mas resolvi tomar as rédeas e chamei alguns camaradas que estavam começando a tocar também e formei a minha primeira banda, o Four W.C. que na verdade já existia  e só estava desativado, e eu juntamente com o Leandro Bambam (ex-baixista do Guilhotina e Tragedy Garden), o Celinho (ex-vocalista do Invaders) entramos nas respectivas vagas na banda e nos juntamos  com o Buiu e o Buika únicos remanescentes da formação original, porém a banda acabo antes de fazer algum show, visto que o Buika se mudou da cidade.

3 - Sua Primeira banda propriamente no estilo Rock n´roll foi o VOVÔ MADIN. Quais a experiências que esse período lhe revelou como músico?

R: Então, o Vovô Madin foi uma fusão de 2 projetos, como citei na pergunta de cima a minha primeira banda foi o Four W.C. e após o fim desta, o Billy um velho conhecido da galera que gosta de rock em Colorado que também havia acabado de sair de uma outra banda me chamo para formar algo e ae nasceu o Vovô Madin que foi um divisor de águas na minha vida, me fez abrir a mente para outros estilos, e foi um desafio tocar algumas coisas inusitadas, tendo que se adaptar ao que podíamos fazer na época, e apesar do pouco conhecimento e experiência que tinha, creio que foi onde eu consegui aparecer e mostrar do que eu era capaz de fazer... Infelizmente por vários fatores a banda se dissolveu antes do que eu queria, houve até lampejos de uma volta, o que não deu certo, mas eu sei que esse não foi o fim do Vovô Madin e um dia a gente se reúne pra fazer um som novamente.

4 – Dentro do VOVÔ MADIN havia músicos de várias vertentes, desde rock/Brasil até o pop rock, é possível equilibrar estilos tão distintos dentro de uma mesma banda?
R: É difícil!!! Ter uma banda que toca de tudo dentro do rock é complicado, o nosso repertório era uma salada mista, ia de Matanza e Metallica à Elvis Presley e Audioslave, fora as musicas que tínhamos cortado do repertório... Cabeças diferentes, gostos diferentes,  e também falto um certo respeito entre nós nesse quesito. A ideia é boa no papel, “tocar o que a gente gosta e ser feliz”, porém certas escolhas de repertórios eram equivocadas e causava o descontentamento de alguns e isso gerava uma certa tensão na banda, e o agravante e principal fator era externo, incompatibilidade de vida dentro da banda, opiniões, formas de viver, aliado a falta de lugar pra ensaiar. Ou seja pequenas coisas viravam uma avalanche rapidinho. Pelo tanto de treta que rolo, a banda suporto até demais rs.

5 – Após o fim do VOVÔ MADIN você encabeçou o projeto BÊABA onde faziam tributo ao grupo RAIMUNDOS, gostaria que você comentasse um pouco sobre esse projeto. Qual o saldo final que você obteve com a banda em termos de musicalidade e experiência.
R: Raimundos sempre foi uma forte influência na minha vida, não poderia ser diferente no meu jeito de tocar, surgiu então a ideia e a oportunidade de fazer acontecer um tributo a uma das maiores bandes de rock da minha geração. Foi outro projeto inconstante também, houve várias fases, formações e uma série de situações que me fazem lamentar o fato de a gente fazer algo tão bom quanto os originais dos Raimundos, mas por falta de responsabilidade de uns a coisa sempre ficava pela metade. Como guitarrista, creio que foi onde eu tive a melhor fase, onde houve o meu máximo de empenho, e tive a oportunidade de conhecer e tocar com pessoas de outro lugar fora de Colorado, camaradas que ainda hoje mantenho contato como o Larsen,Markinhos e o Hugo que são um pessoal que tinha o Ramones cover em Paranavai...O BÊABÁ me proporcionou muitas dores de cabeça e algumas alegrias, assim como quase em todas as bandas em que toquei no começo, mas no Vovô Madin por exemplo eu me sentia melhor apesar dos apesares, talvez pelas pessoas que eu conviva no começo da banda, não sei, sinto mais saudades do Vovô Madin do que o BÊABÁ.

6 – Quase que na tangente você foi convidado para integrar o grupo GUILHOTINA HC assumindo os vocais, como se deu essa empreitada que resultou na sua entrada como vocalista da banda?
R: Era algo eu queria e muito, mas por ser muito novo na “cena” eu tinha receio de demonstrar. Em caminhadas com o Alexandre (baterista) eu falava que eu poderia ser uma opção para os vocais do Guilhotina caso o Pioio saísse da banda em algum momento. Mas partiu do Vitor (Guitarrista) a “intimação” de fazer um teste comigo cantando, e na hora eu tremi as pernas e suei frio, nunca tinha cantado em uma banda, e ser o frontman requer uma atitude que eu não sabia se teria, no Guilhotina HC então nem se fala. Mas foi legal ver os caras botando fé em mim, vontade eu tinha, e muito... Seria decepcionante para mim ver aquele voto de confiança ser desperdiçado e não ser retribuído da melhor forma, então mergulhei fundo, procurei escutar mais sons do estilo do Guilhotina HC e tentei ao máximo achar o meu jeito de cantar e interpretar as melodias e letras. Mas isso é uma coisa que tem que estar em constante evolução, nunca para, sei que amanhã eu serei melhor do que sou hoje.

7 – Apesar de todas as dificuldades e vários problemas envolvendo a banda, pode-se dizer que o GUILHOTINA HC é o grupo que você mais se identificou, você acredita que pode-se alcançar um reconhecimento com a banda por méritos  dessa última “nova” formação?
R: O universo conspira contra o Guilhotina HC rsrs Não consigo pensar diferente!!! É sim a banda que mais me satisfaz, sabe?! Compor algo extremante técnico, pesado, energético e com atitude como o Guilhotina HC faz, ter a capacidade e qualidade necessária para se tocar covers dos clássicos da musica pesada, , não tem como achar que não é bom. Sei que pelos problemas que sempre aparecem e pelo fato de morarmos em uma cidade onde a cultura é quase nula, não conseguimos chegar a onde almejamos ainda, capacidade eu sei que temos, o que falta é oportunidade e um pouco de sorte das coisas acontecerem sem tantas complicações, mas não me arrependo de seguir esse caminho de espinhos, ainda olho pra trás e sinto orgulho do que fiz e é dali que tiro forças pra continuar adiante.


8 – O GUILHOTINA HC por problemas de mudança de formação e “armadas” de ex-membros nunca deslanchou da forma satisfatória. O Grupo está novamente se movimentando para apresentar algo novo e sem ligação com o período problemático da banda, o que se pode esperar do GUILHOTINA HC em termos de musicalidade e metas para 2014?
R: Essas armadas ai, sempre nos limitou no quesito divulgação de nosso trabalho via redes sociais e tals, creio que um dia as coisas vão se resolver amigavelmente, ninguém é mais criança e todos somos responsáveis pelos nossos atos. E 2013 foi um ano complicado pro Guilhotina, a gente sempre traçava metas pela metade, e teve a saída do Hudson também, tive que tocar baixo e cantar, foi meio complicado, e eu de certa forma fui sobrecarregado nas musicas e a performance poderia não ser a melhor, também não conseguíamos manter uma sequencia boa de ensaios, e quando se tinha um dia disponível para ensaiar era puramente para dar aquela “destravada”. Recentemente resolvemos os problemas internos da banda e chamamos o Hudson novamente para o posto de baixista, ou seja, as perspectivas são as melhores possíveis, estamos com praticamente 4 musicas novas que pretendemos gravar ainda no primeiro semestre de 2014,e em paralelo a isso, estamos nos movimentando para realizar um tributo ao Ratos de Porão... Estamos fazendo tudo com calma e sem pressa para que não trilhemos os mesmos passos em falso dado no passado recente.

9– Não raramente os músicos que fazem parte do UNDERGROUND são criticados por leigos por não serem conhecidos pela maioria do público e pela música não agradar boa parte da sociedade. Como você enxerga a musicalidade em eventos que você participa e nas bandas em toca ?
R: Olha vai de cada um, a maioria das pessoas que começam a ter bandas, tocam por prazer, depois querem ganhar dinheiro com isso... Não tem problema algum com isso, o problema é que a grande maioria que migra para “esse lado” acabam se esquecendo de suas origens, tocam qualquer coisa por dinheiro, pra se aparecer pra pessoas que nem fazem questão de quem está ali tocando a “festa” e quando vão tocar em bandas de rock ou metal, acabam trazendo a influência axé music no meio do som pesado, é complicado. Sempre fui fiel ao que escuto, já toquei várias coisas diferentes e em vários projetos diferentes, mas tudo dentro do rock e suas vertentes, e sou de certa forma reconhecido pela galera que gostaria de ser reconhecido,  onde eu vou sempre sou bem tratado, recebendo elogios SINCEROS de quem realmente aprecia o som que toco e isso é o que conta, vejo muito mais musicalidade em eventos de musica underground do que num baile por exemplo, como disse, é de cada um, mas uma coisa que tenho pra mim é o seguinte, ou o cara gosta de rock ou não gosta, não existe meio termo, é muita hipocrisia alguém que toque sertanejo, dizer que gosta mesmo é de rock,  e reclamar que Colorado não tem nada além de sertanejo, e me deparo com isso constantemente, e eu só consigo pensar ...“meu irmão, tá reclamando do que??? Você está ajudando a espalhar esse “câncer” que afeta e sequela nossos cérebros...”, esse tipo de gente parece que busca a aceitação daqueles que estão envolvidos de verdade com a musica underground, prefiro me manter longe e por esse tipo de gente eu realmente não quero ser reconhecido e muito menos considerado musico.

10 – Sua última faceta dentro no HEAVY METAL foi integrar a banda TRAGEDY GARDEN como baixista. Mais uma vez mostrando todo seu potencial como músico ,como tem sido tocar em uma banda com características tão diferente de seu habitual?
R: Outro grande desafio rsrs... Não me recordo bem mas foi quase que paralelo ao fim do Vovô Madin que o Marcão baterista até então fez o convite através do Vitor. Eu aceitei na hora, mesmo não sabendo se daria conta, até me surpreendi com a forma que as coisas fluíram rápido, e eu compensava a falta de destreza no contra-baixo  com uma mão direita pesada nas cordas, acho que deu certo, não sou o cara mais técnico, mas me orgulho de onde quer que eu tenha tocado, sempre o fiz com atitude e paixão, e no Tragedy Garden não foi diferente, reconheço que não sou o maior apreciador do Doom Metal que é uma das características e influências da banda, mas sempre estudei os andamentos e a forte apelação melódica que bandas do estilo tem, hoje em dia entendo melhor como a coisa funciona e todo o peso sombrio que a musica carrega. Não esquecendo de mencionar que existe uma grande simpatia entre os membros encabeçado pelo Márcio (vocal), tudo é feito com muita responsabilidade, e sabemos distinguir hora de brincar e hora de falar sério, é o ponto mais forte do Tragedy Garden.

11 – O TRAGEDY GARDEN possui uma boa aceitação nos eventos em que participa, mesmo sendo obscura e pesada  a banda sempre consegue imprimir suas características sombrias e explorar a musicalidade de seus músicos. Como você analisa a trajetória de persistência e respeito da banda no cenário da Região?
R: Eu peguei a última parte desse trecho até o momento, então só irei falar o que eu vi e vivi. Tenho que agradecer os que ralaram pra caramba antes de mim para deixar o Tragedy Garden no patamar que está, estou dando minha contribuição agora da melhor forma que posso, mas foram os primeiros que construirão esse status que o Tragedy Garden merece, e eu só estou dando continuidade, e agora com novas composições eu posso realmente pensar que faço parte da história da banda. Todos os eventos em que tocamos é sempre repleto de elogios até por parte de quem não gosta muito do estilo, talvez por que as musicas são diferentes do Doom Metal propriamente dito. Não é aquela coisa 100% mórbida. Gosto de pensar que as musicas do Tragedy Garden são bipolares, e vão da euforia extrema à depressão profunda em 4 minutos, e eu acho isso muito bacana hahaha...


12 – Quais as suas principais referencias como músico?
R: Como vocalista eu cito Rodolfo Abrantes (Raimundos,Rodox), Phil Anselmo (Pantera), Max Cavallera (Sepultura, Soulfly), João Gordo (RDP), Evan Seinfeld (Biohazard), Layne Stanley (Alice In Chains) e Dio... E como guitarrista tem uma penca, mas esses são os meus favoritos, Dimebag Darrel, Synyster Gates, Marc Rizzo, Tom Morello, Billy Graziadei, Tony Iommi, Marty Friedman e David Gilmour... Baixista eu aprecio demais o Geezer Butler e o trampo do Robert Trujillo no Infectious Grooves. Gosto de bandas com som repleto de groove ou algo que cative meus ouvidos, sou muito fã da cena New York Hard Core que tem bandas como Biohazard, Agnostic Front, Hatebreed, SubZero, Pro Pain... Também não posso deixar de mencionar as clássicas bandas como Black Sabbath, Pantera, Korzus, Slayer, Megadeth, Metallica e das mais novas KillSwitch Engage e Avenged Sevenfold.

13 – Quais seu 5 discos preferidos ?
R:Só 5???  Ai é difícil mas no momento são
 Rodox – Rodox
Pantera  - Vulgar Display Of Power
Raimundos – Lapadas do Povo
Korzus – Discipline Of Hate
Ratos de Porão – Carniceria Tropical
Vou colocar mais um porque ninguém é de ferro... O Loco Live dos Ramones

14: Deixo o espaço aberto para suas considerações finais, muito obrigados por atender o blog COLORADO HEAVY METAL!

R: Eu que agradeço o espaço cedido, é muito gostoso a gente saber que mesmo que pequeno existe um espaço só nosso, onde podemos falar um pouco de como somos, e de onde viemos, e o que planejamos fazer em um futuro próximo, é legal que nos motiva e o mais importante de tudo, faz a gente se movimentar para que não fiquemos no sedentarismo à espera do próximo para se fazer algo. Foi muito importante para mim realizar essa entrevista, me fez relembrar de tantas coisas que já passei, incluindo furadas que é o mais comum, e pensar que tudo valeu a pena. Obrigado e até a próxima!!!!


COLORADO HEAVY METAL


domingo, 27 de outubro de 2013

RESGATANDO O PROGRAMA "O MUNDO DO ROCK"


As tentativas de levar o estilo Heavy Metal aos canais abertos como rádio e televisão sempre foram uma tarefa muito difícil se tratando de Brasil, apesar de sempre acabar de alguma fortalecendo a cena e angariando novos seguidores, o incentivo e patrocínio são mínimos  e diante de tanto modismo se torna complexo manter uma programação evidente a comunidade.
                Em Colorado algumas tentativas foram realizadas neste sentido, desde tempo mais remotos o com Billy Billiere e suas atividades mandando  Rock em alto volume  no centro de nossa cidade nas saudosas “Paqueras”  , o ROTA DO ROCK que foi veiculado na INTERATIVA FM na fase inicial da emissora (Se alguém tiver nomes de dados será bem vindo) no qual o foco principal eram bandas clássicas do rock. Também podemos destacar as sextas a tarde no programa IN FOCO da moribunda TVA onde era veiculada uma seção  de clips  a cargo de Vitor e Wando, onde rolou desde LED ZEPELLIN a  SLAYER.
Mas nessa reportagem hoje em especial vamos falar sobre o programa ‘O MUNDO DO ROCK’ , veiculado em meados de 2008 na AUXILIADORA FM de COLORADO . 
Marcão e Márcio recebendo o GUILHOTINA HC

Comandado por Marcão Azevedo e Márcio Valério o programa trouxe todo peso do Heavy Metal para as tardes de domingo. Com uma programação eclética o “playlist”  do “OMUNDO DO ROCK”  abrangia toda a história do rock, desde as bases como clássicos do BACK SABBATH, DOORS, IRON MAIDEN  até as bandas mais extremas do Metal despejando nas frequências da rádio MORBID ANGEL,  TRISTANIA, VADER. Analisando mais tecnicamente a programação, era possível detectar o forte laço dos apresentadores com as sonoridades mais extremas,  pois ambos  faziam parte do TRAGEDY GARDEN , naturalmente  a informação  através de notas e músicas faziam uma aproximação com os ouvintes menos habituados com as sonoridades mais pesadas difundindo os estilos com menos exposição na mídia.
Tuti, representando  a banda SPEED FIRE  de Londrina

Além das notas e informativos sobre o rock e heavy metal em geral a cargo de Márcio Valério,  o programa ainda tinha seções com entrevistas sempre mediadas de maneira inteligente por Marcão Azevedo.  Em especial o GUILHOTINA HC  este por lá em duas ocasiões, a primeira  com a banda reduzida em apenas  dois membros (Vitor e Alexandre),  os ilustres convidados fizeram um retrospectos das grandes furadas envolvendo a banda , na segunda vez foi para apresentar o então novo vocalista, Rodolfo Santana que mesmo sem ter nenhuma experiência na posição segurou o rojão na mão na época, e hoje é membro-sócio da banda. Também porá lá esteve entre outros, TUTI representando a banda SPEED FIRE, o guitarrista proporcionou um super bate papo e trouxe várias lendas e superstições da cena de Londrina culminando na apresentação do SPEED FIRE no extinto FUT ROCK FEST.
Conversando recentemente com  Marcão Azevedo o COLORADO HEAVY METAL perguntou o principal motivo que provocou o término da programação do “O MUNDO DO ROCK” . Segundo Marcão a rádio que abrigava o programa estava passando por mudanças e de estrutura e diretoria, algo que impossibilitava um plano em longo prazo , sendo assim fechou-se o ciclo para o programa.
GUILHOTINA HC  na fase dupla, a procura de novos membros!
O COLORADO HEAVY METAL hoje recorda o programa “O MUNDO DO ROCK”, mais um tópico  de nossa história como underground  em COLORADO, que juntamente com CONFRONT, GUILHOTINA HC, TRAGEDY GARDEN,  INVADERS, VOVO MADIN,  ANISTIA HC colocou as guitarras em destaque em nosso mórbido município.  O COLORADO HEAVY METAL promete um novo evento mais seguramente em 2014 onde vamos tentar novamente juntar a galera  e promover a nossa cultura, é hora de novas empreitadas....


COLORADO HEAVY METAL

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ENTREVISTA MARCÃO AZEVEDO - TRAGEDY GARDEN

Pouco a pouco o BLOG COLORADO HEAVY METAL vai colhendo informações através de entrevistas e sabendo a opinião de quem vive o estilo, quem curte, quem toca em alguma banda. Eu que vos escrevo tenho consciência faltam muitos amigos para aqui dar seu perfil através dessas entrevistas, mais pouco a pouco vamos convidando minuciosamente todos para deixarem suas palavras. Cabe ao COLORADO HEAVY METAL, a tarefa de formular as perguntas de maneira cuidadosa e endereçar ao convidado. Não fazemos censura sobre nenhum aspecto,  pois o espaço é democrático e deve ser usado tal como o convidado achar necessário em suas respostas. Você caro amigo leitor, em algum momento será convidado a contribuir, pois todos nós somos unidos só propósito, a música UNDERGROUND, seja ela Heavy Metal ou Rock n´roll....
COLORADO HEAVY METAL


ENTREVISTA MARCÃO  AZEVEDO
Figura emblemática e visionária o Baterista Marcão Azevedo deixou suas marcas no HEAVY METAL de COLORADO. Adepto a uma organização impar no UNDERGROUND,  o baterista somou conquistas  frente do TRAGEDY GARDEN e deixou  toda uma filosofia  arquitetada para o amadurecimento da cena, assim como na produção autoral.  Hoje nosso entrevistado responde algumas perguntas que seguem o tema TRAGEDY GARDEN, sem duvidas, sua grande empreitada.


1 – Marcão, como você descobriu o Heavy Metal, e qual foi o primeiro disco que comprou?
MARCÃO - Sempre ouvi música desde muito criança. Neste período me deparei com coisas que me agradavam. O heavy metal, em particular, foi ainda na adolescência. Adquiri de um amigo vinis tipo Wasp (1º), Accept (Balls to the Wall), além de Purple e Uriah Heep de um cunhado. A partir daí, tudo ficou em plano secundário quanto o assunto é música.

2 – Como surgiu o interesse em aprender a tocar bateria e quais são suas influencias no nesse instrumento?
MARCÃO - Sempre percebi uma marcação rítmica natural. Ao ouvir músicas que nunca tinha ouvido, sabia onde entraria um prato, marcando, e muitas vezes, as paradas. Trabalhando próximo a Londrina, matriculei-me numa escola de música chamada Conservatório Musical de Londrina, onde toda a iniciação recebi do Gilson Corsaletti, que tocava na Sinfônica de Londrina e tinha uma Big Band. Este processo durou cerca de 02 anos.Como influências, cito Paulo Costa (ex-Amen Corner), Guga (Dorsal), Chriz Salles (The Mist), Igor Cavalera, Ricardo Confessori  e Gilson Corsaletti.

3 –  Entre os anos de 1.998 e 2001 COLORADO teve uma movimentação no underground com músicos investindo mais em sonoridades pesadas, você nessa época participou da banda SLEEPLESS, quais memórias você tem  sobre esse breve período?
MARCÃO - Penso que foi um avanço, sem dúvida, enquanto cena. Bandas pioneiras como Confront e Guilhotina mostraram que era sim possível tocar heavy metal em Colorado. Diria que estouraram a porta das garagens. A partir de um efeito multiplicador, seria natural outras bandas e propostas.  O Sleepless teve sua importância, pois foi a partir daí que tivemos noção de entrosamento, relacionamento entre músicos. Cada um de nós soubemos o que extrair desta experiência.

4 – No SLEEPLESS você e seu irmão e vocalista Márcio Valério estavam bastante envolvidos com sonoridades mais obscuras, com a chegada do fim do SLEEPELESS você já tinha intenção de enveredar-se ao DOOM/DEATH METAL?
MARCÃO - Superado o fim do Sleepless, e seus efeitos colaterais, o foco era construir uma banda que mesclasse sem disfarces uma veia melódica muito forte,  com toda aquela carga de obscuridade que carregávamos em nossas personalidades  e  que praticamente adotamos em nossas vidas privadas. Tudo sem atropelos e com muito cuidado. Penso que acertamos.

5 – Quando você decidiu encerar o SLEEPLESS você utilizou o termo “... estou parando para me reciclar”. Nesse tempo você reciclou não somente na maneira de tocar, mais também amadureceu um novo conceito ideológico. Como você chegou ao conceito TRAGEDY GARDEN?
MARCÃO - Esta reciclagem foi necessária, pois citei há pouco que lidamos com efeitos colaterais que poderiam ter feito um estrago muito grande numa formação que na hora certa mostrou seu valor e disse à que veio. Período conturbado onde eu e o Vitor tratamos de ´´engolir´´ nossos instrumentos, caso quiséssemos sair do lugar-comum e fazer valer nossa proposta. Tragedy Garden é o mundo cinza e pálido de nossos medos, sonhos e ilusões. Com este conceito formado, e impregnado em cada músico, partimos para o trabalho duro e incansável de dar um passo além do que havia, assumir tais riscos e fincar a bandeira da Tragédia no underground nacional.

6 – O TRAGEDY GARDEN começou como uma dupla em encontros como você ainda acamado por conta de uma recuperação cirúrgica. Quais suas memórias desse período intenso e visionário?
MARCÃO - Vitor, este foi sem dúvida um período muito difícil. Uma cirurgia de coluna sempre é delicada. Perguntava ao médico se poderia ainda tocar bateria, e mais de 12 meses depois pude estrear uma que havia ficado na caixa por todo este tempo aguardando. De fato o Tragedy Garden nasceu neste período, pois você sempre me visitava e fazíamos planos de como seria, e   outros detalhes. Você se aprimorou no violão e guitarra e a partir daí foi possível o início da banda com horizonte definido.

7 – Após a entrada de Márcio Valério e tempos depois Fernando Hygino o TRAGEDY GARDEN lança seu primeiro material, SILENT SYMPHONY, quais os significados pessoais musicais que esse trabalho ainda provoca em você?
MARCÃO - Esta demo-EP sempre me remete à proposta do passo seguinte, da ousadia. Primeiro registro em formato cd com encarte gráfico, e repertório próprio. Havíamos, então, escolhido e anunciado nosso caminho. Penso que cada um dos quatro integrantes sinta orgulho de ter participado deste processo. Sem contar que o solo de In Our Lives é um de meus preferidos dentre todos que conheço, e seu efeito é hipnótico nas platéias onde foi possível tocá-lo.

8 – Após o lançamento de SILENT SYMPHONY a banda entrou em uma ótima fase criativa com ensaios bastante movimentados para a concepção do CD “ENEMY TIME”. Quais os aspectos que impulsionaram a banda nesse período para composições elogiadas inclusive pela imprensa especializada?
MARCÃO - A aceitação da cena local ao material contido em Silent Symphony foi sem dúvida um dos combustíveis para o Enemy Time, pois tínhamos todas as letras prontas e o instrumental evoluiu de forma nítida, remetendo a um patamar que seria inacessível no cd anterior. Isto somado à evolução de todos, ao trampo gráfico de responsa, estúdio de ponta, enfim, cumpríamos novamente ao que nos propomos, sendo um cd maduro, evoluído, respeitando o público enquanto material a ser apresentado/adquirido e fiel às origens. Várias qualidades que mereceu de um redator da Roadie Crew a frase ´´grande expoente do Brasil para o gênero mais sombrio´´.


9 – “ENEMY TIME” é o disco que definiu o TRAGEDY GARDEN, após 10 anos quais as marcas que esse disco deixou em você como principal viabilizador do formato e conceito contidos nesse álbum?
MARCÃO - Tantos anos depois, penso que a coragem e a ousadia com uma dose generosa de superação de todos na Banda, foram, sem dúvida, pano-de-fundo para aquele cd cinzento e ríspido concebidos por quatro músicos comprometidos com uma proposta e filosofia que nem todos suportariam.  Capítulo importante para a musicalidade de todos que participaram do processo.

10 – “FOLLOW THE INSANITY” foi seu ápice como letrista e também explorou uma sonoridade mais ousada em relação ao que a banda já tinha feito anteriormente, quais suas considerações sobre esse trabalho que não foi unanime como “Enemy Time”, mesmo contendo uma sonoridade ampliada e mais refinada em relação ao disco anterior?
MARCÃO - Queríamos um disco que flertasse claramente com o atmosférico e as sensações de ´´viagens´´, pois todo o conceito gira em torno da loucura e lucidez. Penso que conseguimos, mas para isso foi preciso suprimir uma sonoridade mais ´´na cara´´, como ocorreu com Enemy Time. Creio que a sonoridade mais abafada tenha sido a diferença mais sentida. Todavia, a proposta esteve intacta e várias faixas revelaram-se verdadeiros petardos ao vivo, como My Garden, Revelation e Goodbye.

11 – Após uma breve fase de composições, passando por alguns momentos delicados você decidiu se ausentar do TRAGEDY GARDEN. O grupo, porém continua em atividade seguindo seu conceito filosófico que continua forte e presente na banda.  Como você encara o TRAGEDY GARDEN pós MARCÃO AZEVEDO? 
MARCÃO - Saí da banda por compromissos  e problemas particulares,  pois acho que não tenho o direito de atrapalhar. Não foi uma decisão das mais fáceis, mas prevaleceu a razão. Tenho notícias de que a banda está na ativa com shows, e isso é bom. O Tragedy Garden sempre se diferenciou pela sonoridade e postura (em tudo) de forma muito equilibrada. Como tudo na vida, o êxito do futuro tem uma relação muito direta com o valor e respeito ao passado. Votos de sucesso e sabedoria à atual formação.

12 – Nos arquivos da banda existem inúmeras letras que não foram usadas, assim como conceitos textuais e poemas que continuam ocultos. Poderemos em um futuro poder ter uma obra literária com o conceito TRAGEDY GARDEN?
MARCÃO - Você deve ter uma bola de cristal....(rsssss). Sim, é provável que aconteça. Tenho trabalhado nesta proposta, que tem até título definido, e atualmente lido com a compilação de material. Passo-a-passo e com o devido cuidado todo este material se transformará num capítulo literário.

13 –  Quais os seus  5 álbuns favoritos no Heavy Metal?
MARCÃO - São eles:
1-Arise – Sepultura;
2-Gaia – Tiamat;
3-Widow´s weed – Tristania;
4-At six and sevens – Sirenia;
5-The hangman tree – The Mist;

14 -  Muito Obrigado Marcão, deixamos o espaço para suas considerações finais.
MARCÃO - Obrigado Vitor pela oportunidade do contato com os leitores do blog, principalmente aos que de alguma forma conhecem o Tragedy Garden. Sempre disse que quando envelhecermos devemos ter do que contar, e o Tragedy Garden será uma das histórias prazerosas. Agradeço a todos os músicos que nos auxiliaram a construir o nome do Tragedy Garden. Os compromissos e problemas que me afastaram da Banda ainda existem. Atualmente foco o literário, mesmo sem data,  e num segundo momento uma proposta que recebi para uma vertente musical que admiro, mas nada ainda certo.
Vida longa ao ColoradoHeavyMetal.
Marcão.


COLORADO HEAVY METAL - DOCUMENTANDO A MÚSICA PESADA!